sexta-feira , 27 novembro 2020
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Anticorpos da covid-19 somem rapidamente após infecção, diz estudo

Coronavírus: anticorpos podem não ser duradouros (KATERYNA KON/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images)

Os anticorpos do novo coronavírus desaparecem rapidamente depois da infecção, pondo em xeque a teoria da imunidade de rebanho — ao menos é o que aponta estudo realizado pelo Imperial College London com 365 mil pessoas no Reino Unido. Segundo a análise dos pesquisadores, que foi realizada entre junho e setembro deste ano, o número de pessoas com os anticorpos necessários para lutar contra as infecções da covid-19 caiu em 26% durante o período do estudo. 

Isso significa que a porcentagem de pessoas do país com anticorpos caiu de 6% para 4,4% em apenas três meses. “Esse estudo mostrou que a proporção de pessoas com anticorpos detectáveis está caindo com o passar do tempo. Não sabemos se isso deixará as pessoas com mais riscos de reinfecção, mas é essencial que todos continuem a seguir as regras para reduzir o risco para si mesmos e para os outros”, afirmou Helen Ward, uma das autoras do estudo.

O resultado da pesquisa também sugere que pessoas com quadros assintomáticos da covid-19 estão mais suscetíveis a perder os anticorpos do que aqueles que apresentaram algum dos sintomas da doença. Todas as faixas etárias são afetadas por esse declínio, mas ele é maior em idosos. Com a idade, o sistema imunológico se torna mais enfraquecido, o que pode ajudar a entender porque pessoas mais velhas têm mais risco de morte por complicações causadas pelo vírus.Veja também

O que é a imunidade de rebanho?

A teoria da imunidade consiste no efeito de proteção que surge nas pessoas quando grande parte se vacinou contra uma doença — assim, mesmo quem não tomou a vacina fica protegido. Muitos acreditam que o indivíduo, ao contrair a SARS-CoV-2, se torna imune a ela. Assim, quanto mais gente for infectada, maior a chance de todos se tornarem imunes. É daí que vem o termo “imunidade de rebanho”. Com ela, todos estariam protegidos. No caso da covid-19, fica difícil imaginar que a situação possa ser resolvida dessa forma, já que ainda não existe uma vacina.

Nenhum estudo comprovou ainda se a imunidade após o contágio do novo coronavírus realmente acontece e casos de reinfecção já foram confirmados em alguns lugares do mundo. Mesmo se acontecer, em outras variações do vírus (como a OC43 e a HKU1), as pessoas ficam imunes por um período determinado de tempo. A imunidade só dura até que surja uma nova cepa do vírus, uma vez que a mutação é inerente a ele. É o que nos faz pegar gripe mais de uma vez, por exemplo.

Fora isso, a estratégia da imunidade teria um custo social alto: a perda de vidas, não só de pessoas em grupos de risco, mas também de jovens e pessoas aparentemente saudáveis.

Por Tamires Vitorio / Exame.com

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