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Arcebispo que pediu renúncia do Papa Francisco diz que corrupção chega ao topo da Igreja

Arcebispo Carlo Maria Viganó participa da missa de beatificação da beata Miriam Teresa Demjanovich, na Catedral Basílica do Sagrado Coração, em Newark, New Jersey, em outubro de 2014 (Foto: Gregory A. Shemitz/ Reuters)

O arcebispo que provocou uma crise na Igreja Católica ao pedir a renúncia do Papa Francisco negou ser motivado por vingança e declarou que tentou mostrar que a corrupção chega ao topo da hierarquia da instituição. O Vaticano não quis comentar as novas acusações de Carlo Maria Viganò.

No domingo (26), o antigo núncio apostólico em Washington (posto equivalente ao de embaixador do Vaticano) divulgou um comunicado em que afirma que o papa sabia há anos sobre a má conduta sexual do norte-americano Theodore McCarrick, ex-cardeal e ex-arcebispo de Washington. Segundo Viganò, o pontífice não fez nada a respeito.

“Nunca nutri sentimentos de vingança ou rancor em todos estes anos. Eu me manifestei porque a corrupção alcançou os níveis mais altos da hierarquia da Igreja”, declarou o arcebispo ao jornalista italiano Aldo Maria Valli.

Viganò, de 77 anos, vem se comunicando com a imprensa através do jornalista da televisão italiana a que ele consultou várias vezes antes de divulgar o polêmico comunicado no domingo (26), quando o papa estava em visita à Irlanda.

Papa Francisco chega para audiência semanal na Praça São Pedro, no Vaticano, nesta quarta-feira (29) (Foto: Andrew Medichini/AP)

Após a divulgação do documento, a mídia italiana noticiou que ele se aborreceu por nunca ter sido promovido a cardeal pelo ex-pontífice Bento 16 ou porque Francisco impediu seu avanço na Igreja.

No voo de volta da Irlanda a Roma, o pontífice não comentou as declarações de Viganò. Ele afirmou apenas que os jornalistas deviam ler o o comunicado cuidadosamente e decidir por si mesmos sobre sua credibilidade.

Acusação

Viganò, que foi embaixador do Vaticano nos EUA entre 2011 e 2016, afirmou que ele mesmo informou a Francisco, em 2013, que Theodore McCarrick se relacionava sexualmente com jovens seminaristas. “Ele sabia, pelo menos desde 23 de junho de 2013, que McCarrick era um predador”, declarou.

Ele afirmou que o antecessor de Francisco, Bento 16, chegou a punir McCarrick em 2009 e 2010, que foi condenado internamente a uma vida de penitência. No entanto, segundo ele, Francisco reabilitou o arcebispo quando assumiu o papado.

Cardeal Theodore McCarrick com Papa Francisco (Foto: Jonathan Newton/The Washington Post via AP)

Em julho deste ano, Francisco aceitou a renúncia de McCarrick, hoje com 88 anos, após uma investigação da Igreja concluir que uma acusação sobre o abuso de um adolescente de 16 anos pelo clérigo nos anos 1970 era “crível e fundamentada”. Desde então, outros homens se apresentaram e afirmaram que sofreram abusos por parte de McCarrick. Um deles contou que tinha 11 anos quando passou a ser molestado.

Pedido de renúncia

No final do documento, divulgado no domingo, Viganò pede a renúncia do papa.

“Neste momento extremamente dramático para a Igreja Católica, ele tem de reconhecer os seus erros e, em respeito pelo princípio de tolerância zero que está a proclamar, o Papa Francisco deve ser o primeiro a dar o exemplo aos cardeais e bispos que ajudaram a encobrir os abusos do cardeal McCarrick, e ser o primeiro a renunciar”, disse.

Por Reuters

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