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China altera balanço de mortos por Covid-19 e diz que número é 40% maior


Uma paciente contaminada com o coronavírus Covid-19 recebe tratamento de acupuntura no hospital da Cruz Vermelha em Wuhan, na China — Foto: AFP

A China, alvo de suspeitas e críticas por sua gestão da pandemia de Covid-19, revisou os números e anunciou nesta sexta-feira (17) 1.290 mortes adicionais na cidade de Wuhan, marco zero do novo coronavírus. Com os novos números, o balanço total de óbitos na China subiu para 4.632 mortes.

Os balanços oficiais chineses de contágios e mortes provocadas pelo coronavírus provocam há várias semanas diversas suspeitas, começando pelas levantadas pelo governo dos Estados Unidos.

O governo chinês havia anunciado até então 3.342 mortes e mais de 82 mil contágios no país de quase 1,4 bilhão de habitantes. O novo balanço de mortes pela Covid-19 representa uma alta de 38,6% em relação aos dados divulgados anteriormente.

Nesta sexta, a cidade de Wuhan surpreendeu o mundo ao elevar em 50% o balanço de mortes provocadas pelo novo coronavírus.

Em um comunicado publicado nas redes sociais, a cidade chinesa de 11 milhões de habitantes explica que, no pico da epidemia, alguns pacientes morreram em casa porque não tinham condições de ser atendidos em hospitais e não foram contabilizados.

Novos números de Wuhan aumentam dúvidas sobre o que aconteceu na China

Desde que surgiu em Wuhan no fim de 2019, o novo coronavírus matou 141.127 pessoas e infectou 2,1 milhões, de acordo com um balanço da AFP, baseado em dados oficiais, provavelmente inferior ao custo humano real desta pandemia.

Wuhan, que foi epicentro da Covid-19 na China, eleva o número de mortes para 3.869 mil

Wuhan, que foi epicentro da Covid-19 na China, eleva o número de mortes para 3.869 mil

Os novos números de Wuhan aumentam as dúvidas sobre o que aconteceu realmente na China quando o patógeno foi detectado e e sobre o quanto são realmente confiáveis os balanços das autoridades, acusadas de falta de transparência na gestão da crise.

O presidente francês, Emmanuel Macron, avaliou na quinta-feira, em uma entrevista ao jornal “Financial Times”, que há aspectos desconhecidos na gestão por parte da China da pandemia do novo coronavírus.

“Teremos que fazer perguntas difíceis sobre o aparecimento do vírus e sobre porque não pôde ser detido antes”, declarou, no mesmo tom, o ministro britânico das Relações Exteriores, Dominic Raab.

O secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, disse que os líderes chineses foram enganosos e opacos em relação ao surto, e que não acredita que eles são honestos nem mesmo agora.

Ele disse que é difícil acreditar nas informações do Partido Comunista Chinês.

“Eles têm sido falsos conosco e têm sido opacos, se quiser chamar assim, desde os primeiros dias desse vírus. Então não tenho muita fé que eles tenham sido verdadeiros conosco agora”, afirmou.

Governo chinês diz que não ocultou nada

O governo chinês negou nesta sexta-feira ter ocultado os números do balanço da COVID-19.

“Nunca aconteceu nenhuma ocultação e não autorizaremos nenhuma”, afirmou o porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Zhao Lijian.

Zhao reconheceu “atrasos, omissões e imprecisões” nos registros de mortes no início da epidemia, em consequência da saturação dos hospitais.

“Mas a resposta da China à epidemia é irrepreensível”, completou.

O vírus surgiu em um mercado ao ar livre de Wuhan onde eram vendidas espécies raras de animais vivos? Um laboratório chinês que estudava os coronavírus nos morcegos não respeitou os protocolos de segurança? Muitas perguntas são feitas sobre a origem do vírus.

As autoridades de Wuhan reconheceram “atrasos” e “omissões” no momento de compilar os dados em hospitais. Os números atualizados continuarão sem convencer os críticos e céticos, mas parecem suficientes para o presidente russo, Vladimir Putin, um dos poucos líderes mundiais a defender Pequim, que considerou as acusações contra a China “contraprodutivas”.

Por G1

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