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China anuncia que também vai elevar tarifas sobre produtos dos EUA

A China anunciou nesta segunda-feira (13) que planeja impor tarifas sobre US$ 60 bilhões em produtos dos Estados Unidos, depois que os EUA intensificaram a guerra comercial na semana passada, com uma elevação das tarifas em vigor sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses.

O Ministério das Finanças da China informou que 5.140 produtos norte-americanos ficarão sujeitos a várias taxas a partir de 1º de junho. Segundo a agência Reuters, uma nova tarifa de 25% será cobrada sobre 2.493 produtos, incluindo gás natural liquefeito, e uma tarifa de 20% será cobrada sobre outros 1.078 produtos.

Pequim já tinha estabelecido taxas adicionais de 5% e 10% para 5.207 produtos norte-americanos no valor de US$ 60 bilhões em setembro, e alertou na época que responderia a qualquer tarifa mais alta imposta por Washington aos produtos chineses.

“O ajuste da China nas tarifas adicionais é uma resposta ao unilateralismo e ao protecionismo dos EUA”, disse o ministério. “A China espera que os EUA voltem ao caminho certo do comércio bilateral e das consultas econômicas e se encontrem com a China com um meio-termo.”

Retaliação vem após EUA elevar tarifas

A tensão comercial entre as duas maiores economias do mundo se intensificou na sexta-feira, com os Estados Unidos elevando as tarifas, de 10% para 25%, sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou a imposição de novas tarifas, dizendo que a China “quebrou o acordo” ao voltar atrás de alguns compromissos anteriores assumidos durante meses de negociações. A China negou as acusações.

Antes do anúncio de Pequim desta segunda, Trump havia aconselhado a China a não fazer retaliações, considerando que uma escalada da guerra comercial entre Pequim e Washington “só piorará as coisas”.

“A China se aproveitou dos Estados Unidos por tantos anos que está muito à frente (nossos presidentes não fizeram o trabalho.) Portanto, a China não deve retaliar, isso só vai piorar as coisas!”, tuitou o presidente.

Mais cedo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang, disse em entrevista à imprensa que a China nunca vai se render a pressões externa. “Dissemos muitas vezes que acrescentar tarifas não vai resolver qualquer problema. A China nunca vai se render à pressão externa. Temos a confiança e a capacidade de proteger nossos direitos legítimos e legais”, afirmou.

Reação dos mercados

A elevação da tensão comercial entre os dois países reverberaram através dos mercados financeiros globais. As principais bolsas do mundo operam em queda nesta segunda.

“Cada aumento nas tarifas é um entrave para a economia global e se arrastar a economia para baixo, vai arrastar os ganhos para baixo, então as acções vão reagir a isso”, disse Art Hogan, estratega-chefe de mercado da National Securities em Nova York.

Com a disputa comercial a estender-se, os investidores esperam que as tarifas aumentem os custos corporativos, diminuam as margens de lucro e dificultem a capacidade das empresas de planear ou fazer despesas de capital.

Guerra comercial

Há anos, os EUA reclamam que a China gera ao país um considerável déficit comercial (que é a diferença do volume exportado entre os dois países). Trump alega que o país asiático rouba propriedade intelectual, especialmente no setor de tecnologia, além de violar segredos comerciais das empresas americanas, gerando uma concorrência desleal com o resto do mundo.

Por isso, o combate aos produtos “made in China” é uma bandeira de campanha de Trump, que recebeu o apoio de vários países.

A meta do governo Trump era reduzir em pelo menos US$ 100 bilhões o rombo com a China. Só que há controvérsia até no cálculo do tamanho buraco: nas contas de Trump, é de US$ 500 bilhões; nas da China, é de US$ 275,8 bilhões; enquanto dados oficiais dos EUA apontam ser de US$ 375 bilhões ao ano.

Washington apela por uma redução de seu enorme déficit comercial com a China, com “mudanças estruturais” como o fim da transferência de tecnologia forçada, proteção da propriedade intelectual nos EUA e fim dos subsídios chineses para empresas estatais.

Por G1

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