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Coronavírus: agência da ONU estima 300 mil mortes no continente africano


Sem-teto observam agente de segurança da África do Sul que fazem patrulha nas ruas de Joanesburgo nesta sexta-feira (27), primeiro dia de um bloqueio nacional de 21 dias para tentar conter o surto de Covid-19 — Foto: Siphiwe Sibeko/ Reuters

A Comissão da Organização das Nações Unidas para a África (Uneca) estimou nesta sexta-feira (17) que a pandemia de Covid-19 pode levar à morte de ao menos 300 mil pessoas na África. Em um pedido de apoio, a agência informou que a crise do coronavírus vai deixar ao menos 29 milhões na extrema pobreza.

Os 54 países da África registraram menos de 20 mil casos do novo coronavírus até então, apenas uma parcela dos mais de dois milhões de casos confirmados a nível global. No entanto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou na quinta-feira (16) que o continente africano pode chegar a 10 milhões de casos entre os próximos três a seis meses.

“Para proteger e rumar em direção à nossa prosperidade compartilhada, são necessários pelo menos 100 bilhões de dólares para obter imediatamente uma resposta da rede de saúde e segurança social”, afirmou o relatório da Uneca.

A agência pediu 100 bilhões de dólares para a criação de uma rede de segurança destinada ao continente.

Cenários possíveis

A Uneca projetou quatro cenários baseados no nível de medidas preventivas implementadas pelos governos de cada país africano.

Em caso de intervenção nula, o estudo calculou que mais de 1,2 bilhão de pessoas seriam afetadas e 3,3 milhões morreriam neste ano. A população total da África é estimada em 1,3 bilhão.

A maioria do continente, entretanto, já determinou medidas de distanciamento social, que variam de toques de recolher e restrições de viagem em alguns países a bloqueios completos em outros.

Ainda assim, no melhor cenário, no qual os governos intensificam essas medidas, a África seria atingida por 122,8 milhões de casos da infecção, 2,3 milhões de internações e 300 mil mortes, previu o estudo.

Falta de saneamento

Combater a doença será complicado, uma vez que 36% dos africanos não têm acesso a saneamento básico, e o continente conta com apenas 1,8 leitos a cada mil pessoas. A França, em comparação, tem 5,98 leitos a cada mil pessoas.

A África apresenta uma elevada parcela demográfica de jovens –cerca de 60% da população está abaixo de 25 anos–, o que deve ajudar a amenizar a doença. Por outro lado, 56% da população urbana está concentrada em favelas superlotadas e muitas pessoas também são vulneráveis devido à Aids, tuberculose e desnutrição.

O continente importa 94% de seus produtos farmacêuticos, indicou o relatório, pontuando que pelo menos 71 países proibiram ou limitaram as exportações de certos suprimentos considerados essenciais para combater a infecção.

“No melhor cenário … 44 bilhões de dólares seriam necessários para testes, equipamentos de proteção individual e para tratar todos aqueles que necessitam de hospitalização”, afirmou.

No entanto, a África não tem essa quantia, já que a crise também pode encolher a economia do continente em até 2,6%.

“Estimamos que entre 5 milhões e 29 milhões de pessoas serão empurradas abaixo da linha de extrema pobreza, com 1,90 dólar por dia, devido ao impacto da Covid-19”, afirmou o relatório.

Por Reuters

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