quarta-feira , 21 agosto 2019
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De ‘Rubiféia a Tanajura’, nascidos com nomes diferentes em MS encaram com diversão as variações e apelidos

Quando não é a junção do nome do pai e da mãe, é porque eram fãs de alguém e fizeram uma homenagem. Ou então, por mais que pareça estranho, foi um sonho ou um nome que viram em um letreiro, comércio e então decidiram colocar no filho ou filha. É desta maneira que muitas pessoas recebem a explicação do próprio nome, algo que acostumam e, no final, riem das piadinhas e confusão na hora de soletrar.

A professora de língua portuguesa, Nãnashara Cavalcante Boehm, de 31 anos, conta que já passou por situações embaraçosas e até de Tanajura já foi chamada. “Meus pais eram fã dos cantores Pepeu Gomes e Baby do Brasil, sendo que uma das filhas tem o nome igual ao meu, então foi uma homenagem deles. Na infância foi um pouquinho complicado. Eu me lembro de um evento, em que chamaram meu pai, minha mãe e, na hora do meu, falaram Tanajura. Não tinha nada a ver, não sei como o cara conseguiu ler daquela forma”, contou.

Pelo fato do pai ser militar, Nana, como é conhecida, contou que morou em diversas cidades. “Eu chegava nas escolas e quando via que o professor demorava demais na minha vez, já levantava e falava: sou eu aqui. Também já ouvi muitas variações do meu nome. Teve uma época que tive vontade de trocar, mas, hoje já me acostumei e levo numa boa”, explicou.

Atualmente concursada, a professora fala que trabalha com alunos do ensino fundamental. “Os mais antigos já me conhecem e os novos, quando vão chegando, já no primeiro dia de aula eu aviso: nem adianta vir fazer piadinhas, porque eu já ouvi de tudo o que é jeito e nada me surpreende mais. Agora, no caso do meu filho, ele tem o nome mais comum possível: Pedro. Eu também estou grávida e, se for menina, chamará Isabel. Se for menino, ainda estamos pensando”, comentou.

No caso da Rubenice, os pais dela quiseram fazer uma junção dos próprios nomes


Professora conta que já passou por muitas “situações embaraçosas” por conta do nome — Foto: Nãnashara Cavalcante/Arquivo Pessoal
A empresária da moda, Rubenice Maria Fernandes Silva, de 52 anos, fala que ouvir uma sequência variada de nomes, com final “nice”, é o mais comum no caso dela. “Berenice é o que eu mais sou chamada, mas, também ouvi Jubenice e até Rubiféia esses dias. É uma sequência engraçada e eu e o meu marido até estávamos procurando alguém com meu nome esses dias, mas, não encontramos”, relembrou.

Empresária conta que já ouviu muitas variações do nome e agora é chamada de flor pelos clientes — Foto: Rubenice Silva/Arquivo Pessoal

Natual da Bahia, Rubenice conta que na hora do nascimento os pais dela quiseram fazer uma junção dos nomes deles. “Meu pai é o Rubens e minha mãe Dalva, então o nome seria Rubenalva. Só que na hora colocaram errado lá no cartório e o registro acabou ficando Rubenice. O bom que sou única, só que a maioria dos clientes fala Rubenícia ou então o nome da confecção, que é Fleur. Outro nome é flor que me chamam. Só que em casa os nomes dos meus filhos são os mais comuns possíveis. Tenho a Talita, de 34 anos e o Marcelo, de 28”, contou.

No caso do músico Kelly Lúcio Queiroz Pereira, de 47 anos , o nome é considerado comum, mas, o que confunde mesmo é a questão do gênero. “Esses dias mesmo, fiquei um tempão com uma pessoa falando senhora no telefone. Eu disse que era senhor e ela repetia: então, a senhora…e continua. O meu nome meu pai contou que tinha uma empresa de pneus chamada Kelly e então ele me deu esse nome. Aqui em casa, até minha filha sacaneia e tenta passar trote me chamando de dona Kelly”, brincou.

Recentemente, Kelly conta que fez orçamentos para arrumar uma máquina de lavar e, novamente, teve confusão com o nome. “Realmente, um homem pedir para arrumar uma máquina de lavar, não parece tão comum. Eles retornaram e falaram que queriam falar com a Kelly. Quando vou lá buscar, já chegaram perguntando: ué, cadê a Kelly? Só que o mais difícil foi quando me barraram em um aeroporto na Europa, querendo investigar tudo. No final, disseram que tinha um traficante chamado Kelly e que estavam procurando”, relembrou.

Músico Kelly com a família em MS — Foto: Kelly Lúcio/Arquivo Pessoal

Capital de MS possui em média registro de 1,5 mil bebês ao mês

Proprietário de um cartório desde 2015, o tabelião Ricardo Kling Donini fala sobre os registros de nomes nas maternidades Cândido Mariano e a Santa Casa. “Temos o maior cartório de registro civil do estado, com postos de atendimentos nestes locais. E temos em vigor a lei 6.015, que trata do registro civil e nos ajuda a conversar com as famílias, quando percebemos que o nome pode expôr a criança ao ridículo. Mesmo assim, se persistirem, eles podem recorrer ao juiz”, explicou.

Conforme Donini, os pedidos de nomes possuem “as mais variadas razões”. “A gente analisa a questão. Não é se o nome é feio ou esquisito e sim se tem a probabilidade de expor a criança ao bullying na escola, por exemplo. É principalmente na fase da infância que explicamos que pode ser complicado para lidar com os amigos, então a orientação é necessária. Somente em casos extremos, quando a família decide manter o nome, é que a gente não aceita e ele procura os direitos”, argumentou.

Entre os nomes, Ricardo fala que não aceitou registrar o nome de um bebê como Escorpion. “Os pais disseram que era o apelido do padrinho, uma pessoa que eles gostavam muito e queriam fazer essa homenagem. Eles insistiram e, depois de muito conversar, conseguimos mudar. Teve também o caso de uma criança que colocaram o nome de Dom. Nós explicamos que era uma sigla eclesiástica, mas, disseram: A Luana Piovani colocou no filho dela e porque eu não posso colocar no meu? Nós então registramos”, contou.

No caso da grafia, Ricardo também fala sobre a sensibilidade em orientar os pais. “Eles pensam em um nome estrangeiro, só que querem escrever de maneira abrasileirada, digamos assim. Fica um pouco estranho e então fazemos a orientação para confirmar. São muitos nomes, temos uma média de 1,5 mil nascimentos ao mês em Campo Grande, somando o registro nos três cartórios da cidade”, finalizou.

Por Graziela Rezende, G1 MS

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