terça-feira , 2 março 2021
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E-BRL: o real digital está chegando?

Imagem: omonetario

Há um tempo, recebemos notícias sobre a adoção do yuan ou renminbi digital, moeda emitida pelo banco central chinês, inclusive com a apresentação de um cartão “inovador” que demonstra as transações feitas com esta moeda. Recentemente, foi divulgado que parte dos funcionários públicos chineses já recebem os seus salários em e-RMB e que as autoridades chinesas têm distribuído esta moeda para a população, por meio de sorteios.

A e-RMB é a versão chinesa da Central Bank Digital Currency (CBDC), moeda digital emitida pelos bancos centrais que, embora nos remeta às conhecidas criptomoedas, como a Bitcoin, se diferencia por ser emitida pelas autoridades monetárias de cada país. Sendo assim, sua emissão e circulação são controladas e fiscalizadas pelos órgãos governamentais, o que não ocorre com Bitcoin, Ethereum, Ripple e outras similares oferecidas no mercado financeiro global.

Segundo os noticiários, a China não só está adotando o e-RMB como também pensa em criar um sistema internacional de pagamentos, como o sistema SWIFT, sigla da Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication, muito conhecido pelos operadores de câmbio aqui no Brasil. A ideia da criação deste novo sistema de pagamentos visa mitigar os riscos de interferências externas nos negócios chineses e facilitar a internacionalização da moeda chinesa.

Nova forma, mesma função

Na verdade, as moedas digitais criadas pelos bancos centrais é só mais uma forma de emissão e circulação da moeda corrente de um país. Aqui no Brasil, foi criado um grupo de trabalho pelo Banco Central para discussão da possível emissão do real digital. Considera-se que a emissão de uma moeda digital poderá levar à aprimoração dos modelos vigentes nas transações comerciais e financeiras entre os usuários tanto no âmbito nacional quanto no internacional.

Os estudos que estão sendo feitos por aqui também avaliam os alcances e os benefícios de uma moeda digital adotada pelo Brasil e se podem trazer benefícios que complementam os meios de pagamentos instantâneos, como o Pix, adotado recentemente pelo Banco Central.

realBanco Central do Brasil já prevê a substituição do dinheiro de papel por uma versão totalmente digital (Reprodução/Pixabay)

Segundo consulta feita ao Banco Central, entre os objetivos do grupo de trabalho estão “a proposição de modelo de eventual emissão de moeda digital, com identificação de riscos, incluindo a segurança cibernética, a proteção de dados e a aderência normativa e regulatória, bem como a análise de impactos da CBDC sobre a inclusão e a estabilidade financeiras e a condução das políticas monetária e econômica”.

Diversos países também estão avaliando a possibilidade de lançarem as suas moedas correntes digitais, como Emirados Árabes Unidos, Coreia do Sul e Estados Unidos. A adoção do e-BRL pelo Banco Central é uma questão de tempo e, certamente, de necessidade para se ajustar às tendências financeiras internacionais.

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Zilda Mendes, autora deste artigo, é professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, atua nas áreas de comércio exterior e câmbio.

Equipe TecMundo

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