sexta-feira , 24 janeiro 2020
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Em operação policial, mais de 50 PMs são presos em ação contra tráfico

 

Após um ano de investigações de uma força-tarefa formada por diferentes órgãos, foi desencadeada hoje (4), às 6h, a Operação Purificação, para cumprir 83 mandados de prisão, sendo 65 de policiais militares e 18 de integrantes da principal facção do tráfico de drogas do Estado, o Comando Vermelho. Até as 10h30, já haviam sido presos 59 PMs e 11 traficantes. Os PMs – todos lotados no 15º BPM (Duque de Caxias) à época do início das investigações – recebiam propina dos traficantes para não coibir atividades criminosas em 13 favelas da região de Duque de Caxias, todas sob domínio do Comando Vermelho.

A força-tarefa da Operação Purificação é formada pela Subsecretaria de Inteligência (Ssinte) da Secretaria de Estado de Segurança (Seseg), pela Coordenadoria de Inteligência da Polícia Militar (CI/PMERJ), pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e pela Polícia Federal (PF).

“A polícia militar demonstra, nestre trabalho, de uma maneira clara que não compactua com essas ações corruptas”, declarou o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame.

O Gaeco denunciou os acusados pelos crimes de formação de quadrilha armada, tráfico de drogas, associação para o tráfico, corrupção ativa, corrupção passiva e extorsão mediante sequestro. Dos traficantes com mandados de prisão, quatro já se encontram presos, cumprindo pena por outros crimes. Também estão sendo cumpridos 112 mandados de busca e apreensão na casa dos denunciados e em batalhões da PM. Todos os presos estão sendo levados inicialmente para o QG da Polícia Militar e depois serão encaminhados para o presídio de Bangu 8.

 

Autoridades da força-tarefa falam sobre os resultados da “Operação Purificação”

 

De acordo com as investigações, os policiais militares indiciados não se limitavam apenas a receber o “arrego” (nome popular para a propina paga por traficantes) para deixar de reprimir as atividades do Comando Vermelho em Duque de Caxias: eles também sequestravam bandidos e seus familiares; apreendiam veículos do tráfico exigindo dinheiro para devolução; negociavam armas; e realizavam operações oficiais quando o pagamento da propina atrasava. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, os policiais cobravam nos plantões, em média, R$ 2.500,00 por viatura do GAT 1 e do GAT 2.

O principal alvo dos policiais era a favela Vai Quem Quer, mas eles agiam também nas comunidades Beira-Mar, Santuário, Santa Clara, Centenário, Parada Angélica, Jardim Gramacho, Jardim Primavera, Corte Oito, Vila Real, Vila Operário, Parque das Missões e Complexo da Mangueirinha. De acordo com as investigações, os policiais militares não tinham um comando único e dividiam-se em 11 células autônomas.

No núcleo do tráfico, Carlos Braz Vitor da Silva, o “Paizão” ou “Fiote”, é chefe do Comando Vermelho nas favelas de Caxias e, de acordo com investigações, mesmo preso na Penitenciária Vicente Piragibe, no Complexo de Bangu, mantém frequentes contatos telefônicos com seus subordinados e continua dando ordens e recebendo informações detalhadas  sobre a rotina do tráfico nas favelas, decidindo inclusive sobre os valores a serem pagos no “arrego”.

A denúncia relata que um dos homens de confiança de “Fiote” é Willian da Silva, “Pit” ou “Cabeça”, elemento de ligação entre a quadrilha e os policiais militares da região. Ele é o responsável pelo pagamento das propinas, pela negociação do resgate de homens do bando sequestrados por policiais e pela liberação dos carros apreendidos pelos policiais.

A quadrilha de “Fiote”, segundo a investigação, além de manter parceria com o tráfico de drogas no Complexo do Lins, no Parque União e na Favela Nova Holanda – que também estão sendo alvo da Operação Purificação – estendeu sua atuação para fora do Estado do Rio, estabelecendo relações com traficantes do Mato Grosso do Sul, de onde vem parte das drogas vendidas nas favelas de Duque de Caxias.

Outras peças importantes no bando de “Fiote”, de acordo com as investigações, são Valdirene Faria Barros, vulgo “Val”, que atua intermediando pagamentos a equipes de policiais em extorsões sofridas por integrantes dos bandos, e Lemuel Santos de Santana, vulgo “Doutor”, que tem a função de contratar advogados para defender traficantes presos e orientar a quadrilha na relação com PMs corruptos. As investigações da  Força-Tarefa apontam que o preço da propina flutuava de acordo com a capacidade de venda de drogas pelos bandidos.

Ainda durante as investigações, foi possível constatar que os policiais militares conheciam bem os bandidos. Foragido da Justiça, Jeferson Ferreira Abrantes, o “Nando” ou “Sorriso”, que atuava no abastecimento das bocas de fumo da comunidade Vai Quem Quer, era alvo constante de extorsões dos PMs, que exigiam pagamento de valores em dinheiro para a manutenção da sua liberdade.

Foi descoberto ainda que, na tentativa de ocultar os seus nomes, os policiais militares criaram apelidos coletivos para as equipes. “Martelo”,  “Rio do Ouro”, “Bonde do Chininha”, “Bonde do King Kong”, “Macumba” e “Munição” eram alguns dos codinomes. Para facilitar a comunicação, traficantes e PMs também montaram um dicionário próprio: “sintonia” (expressão usada pelos traficantes e policiais para definir o acordo de não interferência nas atividades ilícitas); “barcas” (furgões da Polícia); “guerra” (repressão ao tráfico de drogas e entorpecentes); “pequenos” (carros policiais), entre outros.

Os policiais militares também demonstravam ousadia  na hora de negociar armas. Segundo investigações da força-tarefa, em junho deste ano o mesmo PM Vagner escondeu na geladeira de um barraco uma carabina calibre 12 mais R$ 300, para serem pegos por um bandido que trabalhava para os policiais, extorquindo traficantes. As investigações também apontaram que os policiais usavam as dependências de Destacamento de Policiamento Ostensivo para cometer crimes.

Os mandados de prisão e de busca e apreensão foram expedidos pela Juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, da 2ª Vara Criminal de Duque de Caxias. O Gaeco também requereu à Justiça o bloqueio integral do dinheiro nas contas correntes de dois denunciados.

 

Fonte: Jornal Brasil

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