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Ex-agente da CIA é condenado a 19 anos de prisão sob acusações de espionar para a China


Jerry Chun Shing Lee, em foto não datada — Foto: Alexandria Sheriff’s Office via AP

Um ex-agente da CIA (a agência de inteligência dos Estados Unidos) foi condenado, na sexta-feira (22), a 19 anos de prisão por uma conspiração de espionagem que favorecia a China.

Os promotores do caso disseram que Jerry Chun Shing Lee recebeu mais de US$ 840 mil (cerca de R$ 3,5 milhões) para divulgar nomes de fontes e conhecimento de espionagem aos chineses, informou a Associated Press. Lee trabalhou para a CIA de 1994 a 2007, e está preso desde janeiro de 2018.

“Lee traiu seu próprio país por ganância e pôs em risco seus ex-colegas”, disse Timothy Slater, subdiretor do escritório de campo do FBI em Washington. “A seriedade de sua traição e crime é demonstrada com a sentença de hoje”.

Lee era veterano do exército e trabalhou para a CIA inclusive na China. Depois de pedir demissão, abriu uma empresa de tabaco em Hong Kong – com um sócio que tinha ligações com a inteligência chinesa. Foi então que o ex-agente americano começou a se encontrar com agentes do Ministério da Segurança Estatal da China, segundo o jornal “The New York Times”.

Em 2010, enquanto trabalhava em Hong Kong, ele se candidatou novamente a um cargo na agência americana, mas enganou repetidamente as autoridades dos EUA sobre suas relações com oficiais de inteligência chineses e a fonte de sua renda, diz o jornal.

Por volta dessa época, a rede de espionagem da CIA na China começou a desmoronar. Entre 2010 e 2012, dezenas de informantes da agência no país desapareceram – ou foram presos ou mortos -, o que levou a agência a se perguntar como os chineses os haviam identificado. Lee se tornou um dos principais suspeitos.

Em 2012, agentes do FBI entraram, sob disfarce, num quarto de hotel ocupado por Lee. Lá, eles encontraram anotações detalhando nomes e números de ao menos oito fontes da CIA que o próprio Lee recrutou durante seus anos como agente.

O FBI, entretanto, passou a oportunidade de prender o ex-agente nos Estados Unidos em 2013 – e permitiu que ele viajasse de volta a Hong Kong mesmo depois de ter encontrado informações sigilosas em sua bagagem.

Os investigadores aparentemente decidiram que, se continuassem a monitorar Lee, poderiam obter mais pistas sobre o desaparecimento de informantes na China, segundo o “New York Times”. Mas, mesmo depois de sua prisão em 2018, sob a mesma acusação de 2013, eles não conseguiram determinar se o ex-agente estava envolvido nos vazamentos aos chineses.

Lee admitiu a posse de informações classificadas como “secretas” – um nível mais baixo que “ultrassecretas”. Por isso, os promotores pediram uma sentença de 22 a 27 anos, em vez da prisão perpétua.

O governo americano acredita que Lee entregou os nomes das oito fontes aos chineses – que, por sua vez, também teriam buscado detalhes de espionagem sobre como os EUA se comunicavam com suas fontes e como mantinham seus disfarces.

“Tudo o que ele sabia teria sido altamente valioso para a República Popular da China”, disse Adam Small, um dos promotores.

Defesa

Os advogados de defesa, por sua vez, dizem que o governo americano nunca provou que os US$ 840 mil encontrados na conta de Lee vieram da China – o que a promotoria reconheceu. Os EUA, entretanto, pontuaram que o ex-agente nunca conseguiu dar uma boa explicação para a origem do dinheiro.

A defesa alegou que a conduta de seu cliente não era tão severa quanto o governo descreveu – e que a acusação não tinha provas de que Lee tivesse posto em prática planos para revelar segredos do governo.

“O que o governo está descrevendo é o pior pesadelo possível deles”, disse a advogada de defesa Nina Ginsberg. Ela argumentou que o governo não conseguia provar que esse “pior pesadelo” realmente tinha ocorrido.

O juiz distrital do caso, T.S. Ellis III, disse que concordava com a conclusão de que pelo menos parte do dinheiro que Lee depositou em sua conta deveria ter vindo da China. Ele também aceitou que o ex-agente provavelmente teria divulgado pelo menos algumas informações classificadas.

“Eu acho que algo de valor mudou de mãos. Só não tenho certeza”, declarou Ellis.

Na sentença, o juiz afirmou que os promotores não precisavam provar de forma irrefutável que um ato tivesse ocorrido para que ele pudesse levá-lo em consideração. Segundo o juiz, ele poderia considerá-lo se os promotores provassem que o ato tinha maior probabilidade de ser verdade do que não.

Lee, por sua vez, pediu desculpas por suas ações.

“Eu assumo total responsabilidade por minha conduta”, disse Lee, que se naturalizou cidadão norte-americano depois que sua família emigrou de Hong Kong para o Havaí quando ele tinha 15 anos.

Por G1

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