quinta-feira , 23 janeiro 2020
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Homem guarda rocha que pensa conter ouro, até descobrir que continha algo muito mais raro

Depois de guardar uma rocha por anos esperando encontrar ouro dentro dela, o australiano David Hole finalmente descobriu que tinha algo muito mais raro em mãos: um meteorito de 4,6 bilhões de anos.

A descoberta

Hole descobriu o objeto em 2015.

Ele tinha um bom motivo para pensar que a rocha continha ouro: ela foi encontrada utilizando um detector de metal no Maryborough Regional Park, um parque próximo à Melbourne, na Austrália, parte da região de Goldfields na qual ocorreu a corrida do ouro australiana no século XIX.

De volta para casa, Hole tentou de tudo para abri-la: uma serra, uma rebarbadora, uma broca, uma marreta e até mesmo um banho de ácido.

Anos se passaram. Sem obter sucesso, mas ainda intrigado, Hole decidiu levar a pedra ao Museu de Melbourne. Foi quando o geólogo Dermot Henry, surpreso, confirmou que se tratava de um meteorito bastante raro.

Condrito

Descobrir uma rocha dessas é certamente muito mais difícil do que encontrar uma pepita de ouro. Em 37 anos trabalhando no museu e examinando milhares de rochas, Henry disse que somente duas vezes pode confirmar a presença de um meteorito, sendo o de Hole um deles.

A rocha tem 17 kg. Henry utilizou uma serra específica para cortar diamantes a fim de “fatiá-la” e examinar sua composição. Uma vez que possui uma alta porcentagem de ferro, foi classificada como um condrito.

Não é fácil saber exatamente de onde veio esse meteorito, mas é provável que tenha sido lançado do cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter.

Antigamente, o sistema solar era uma “pilha” giratória de poeira e rochas de condritos, que a gravidade reuniu nesse cinturão. Colisões podem arremessar pedaços dessas rochas em direção a planetas como a Terra.

Um pedaço do universo

Uma análise por datação de carbono indicou que o meteorito tem estado na Terra há 100 a 1.000 anos. Novos exames podem revelar coisas muito mais interessantes, contudo.

“Os meteoritos fornecem a opção mais barata de exploração espacial. Eles nos transportam de volta no tempo, oferecendo pistas sobre a idade, formação e química de nosso sistema solar (incluindo a Terra)”, afirmou Henry ao Science Alert.

De fato, meteoritos podem conter poeira estelar com pistas sobre a formação e evolução de elementos da tabela periódica, ou moléculas orgânicas como aminoácidos que oferecem insights importantes sobre os blocos de construção da vida.

Meteorito de Maryborough

O meteorito de Maryborough agora chama o Museu de Melbourne de casa.

Ele é apenas o 17º descoberto no estado australiano de Victoria, e a segunda maior rocha condrítica já encontrada, atrás apenas de um meteorito de 55 kg identificado em 2003.

“Olhando para a cadeia de eventos, é bastante ‘astronômico’ que tenha sido descoberto”, disse Henry.

Por Natasha Romanzoti / Hypescience

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