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Justiça britânica decide não extraditar Assange para os EUA

A justiça britânica decidiu nesta segunda-feira (4) não autorizar a extradição do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, para os Estados Unidos — onde é acusado de espionagem pela publicação de documentos militares sigilosos há dez anos.

A juíza Vanessa Baraitser afirmou durante audiência na corte penal de Londres que recusou o pedido por motivos de saúde, por temer que o australiano de 49 anos poderia cometer suicídio.

Baraitser afirmou que, “diante de condições de isolamento quase total”, “estou convencida de que os procedimentos descritos pelos EUA não impedirão o Sr. Assange de encontrar uma maneira de cometer suicídio”.

Washington tem agora 14 dias para recorrer da decisão, e o representante legal do governo americano já confirmou que apresentará um recurso. A defesa solicitou a liberdade de Assange sob fiança, e o pedido será julgado na quarta-feira (6).

O fundador do Wikileaks, Julian Assange, mostra o punho em riste dentro de uma van em 1º de maio de 2020, ao chegar a tribunal em Londres — Foto: Daniel Leal-Olivas/AFP

O fundador do Wikileaks, Julian Assange, mostra o punho em riste dentro de uma van em 1º de maio de 2020, ao chegar a tribunal em Londres — Foto: Daniel Leal-Olivas/AFPhttps://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Assange foi denunciado por promotores americanos por 17 acusações de espionagem e uma acusação de uso indevido de computador e pode ser condenado a 175 anos de prisão.

Os recursos devem prolongar a saga judicial que envolve o ativista desde 2010, quando o site WikiLeaks publicou centenas de milhares de documentos militares e diplomáticos confidenciais de Washington.

Entre os documentos estava um vídeo que mostrava helicópteros de combate americanos atirando contra civis no Iraque em 2007. O ataque matou várias pessoas em Bagdá, incluindo dois jornalistas da agência de notícias Reuters.

O vazamento revelou também atos de tortura e outros abusos, e o governo americano alega que Assange colocou em perigo as vidas de seus informantes com a publicação dos documentos secretos sobre as ações militares no Iraque e no Afeganistão.

A defesa argumenta que Assange estava agindo como jornalista e tem direito às proteções da Primeira Emenda da Constituição americana em relação à liberdade de expressão.

Os advogados do australiano também afirmam que os EUA querem transformá-lo em um castigo “exemplar” em sua “guerra contra os jornalistas investigativos” e Assange não terá um julgamento justo no país.

As audiências do processo no Reino Unidos foram realizadas em setembro, após meses de atraso devido à pandemia do novo coronavírus, e foram marcadas por protestos na porta do tribunal.

Defensores do ativista exibiam cartazes com frases como “Prendam os criminosos de guerra, libertem Julian Assange!”. No mesmo mês, o gabinete do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, recebeu uma petição com 800 mil assinaturas contra a extradição.

Assange ficou refugiado por sete anos na embaixada do Equador em Londres, até ser preso em abril de 2019 no local.

Fundador do WikiLeaks, Julian Assange, é preso na embaixada do Equador em Londres, nesta quinta-feira (11)  — Foto: Reprodução/RUPTLY

Fundador do WikiLeaks, Julian Assange, é preso na embaixada do Equador em Londres, nesta quinta-feira (11) — Foto: Reprodução/RUPTLY

Por G1

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