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Macri anuncia novas medidas de austeridade para a Argentina

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, anuncia pacote em mensagem gravada transmitida pela TV e redes sociais. (Foto: Reprodução/G1)

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, anunciou nesta segunda-feira (3) uma série de novas medidas de austeridade para o país, que enfrente uma grave crise financeira e renegocia com o Fundo Monetário Internacional (FMI) um programa de ajuda de US$ 50 bilhões. Entre as novas medidas, haverá uma redução na quantidade de ministérios e novos impostos a exportações, de acordo com a AFP.

O plano prevê uma redução drástica em seu governo, que passa a ter menos da metade dos atuais 22 membros, justificada pela “gravidade do momento”, o que, em sua opinião, exige “compactar” a equipe de governo para “dar a resposta focada na agenda que virá”.

O novo imposto taxará temporariamente, até o fim de 2020, os embarques de produtos primários em 4 pesos por dólar e do resto das exportações em 3 pesos por dólar. Com o dólar atualmente em 38 pesos, o imposto é quase de 10% do valor exportado, que no caso dos grãos de soja e seus derivados – dos quais a Argentina é um dos maiores exportadores mundiais – soma-se aos 18% já cobrados, segundo a agência Reuters.

Sobre a tributação às exportações, o presidente afirmou saber que “é um imposto ruim, muito ruim, mas tenho que pedir que entendam que é uma emergência”. “Temos que fazer todos os esforços para equilibrar as contas do Estado. Vamos pedir a quem tem mais capacidade para contribuir, os que exportam, que sua contribuição seja maior”, disse.

Segundo Macri, a intenção do plano é dar aos mercados uma sinalização clara de controle dos gastos para conter o déficit orçamentário e a inflação, acelerada nos últimos dias por uma forte depreciação do peso argentino frente ao dólar.

“Não há uma ferramenta mágica”, afirmou Macri em pronunciamento. “Essa crise não é mais uma. Tem que ser a última”.

Em sua mensagem, de 25 minutos, Macri lamentou que a Argentina, “potencialmente um dos países mais ricos do mundo”, tenha um terço de sua população vivendo na pobreza.

Ele admitiu ainda que, com a desvalorização da moeda local, a pobreza irá aumentar, e afirmou que por isso anunciava um reforço nas políticas sociais para os últimos dois meses do ano, além de outras medidas para mitigar o impacto nos setores mais vulneráveis.

O Ministério da Agricultura informou que decidiu modificar os impostos de exportação de grãos, sementes oleaginosas e seus subprodutos. A Argentina é o maior exportador mundial de farelo de soja e óleo de soja e exportador líder de milho, trigo e soja crua.

Medidas

Os detalhes técnicos do novo pacote de austeridade foram apresentados pelo ministro da Fazenda, Nicolás Durojne. Na terça-feira, ele deve apresentar as medidas ao Fundo Monetário Internacional (FMI), para que seja discutido um reajuste do acordo do país com o fundo.

Segundo Durojne, o governo se propõe a alcançar o equilíbrio fiscal em 2019, deixando para trás a meta fixada anteriormente de um déficit de 1,3% do PIB.

“Em 2019 queremos chegar ao equilíbrio fiscal primário. Baixando o déficit, baixamos nossa necessidade de emitir dívidas”, afirmou ele à imprensa.

Crise

A Argentina atravessa uma forte crise financeira e acertou com o Fundo Monetário Internacional (FMI) um empréstimo de US$ 50 bilhões, pelo qual o governo se compromete a reduzir seu déficit a 1,3% do Produto Interno Bruto em 2019.

“Estamos trabalhando na instrumentação para adiantar nossas metas para o próximo ano para reduzir esse risco financeiro, o qual vai levar necessariamente à continuidade das discussões de como acelerar também o caminho até o equilíbrio fiscal”, disse o chefe de gabinete, Marcos Peña, em um discurso num evento com empresários.

Na semana passada, Macri havia anunciado que acertou um adiantamento de recursos com o FMI para garantir o financiamento do país, em meio a temores de uma potencial interrupção dos pagamentos da dívida.

A moeda desabou depois do anúncio. A resposta dos mercados expôs a magnitude da crise de confiança no governo e em sua capacidade de pagar as dívidas com a possibilidade de uma nova recessão, citada pelos analistas.

Preocupações

A situação da Argentina, a terceira maior economia da América Latina, segue causando preocupações no mercado à medida em que o país se esforça para se libertar de seu notório ciclo de crises financeiras de uma década. O mais recente, pontuado por um calote da dívida de 2002, jogou milhões de argentinos da classe média na pobreza.

Há temores de que o país, que tem elevada inflação, economia fraca e sofre as consequências de um uma venda global nos mercados emergentes, possa não cumprir com suas obrigações de dívida.

Por G1

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