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Mulher é suspeita de enganar grupo de MS que faria divulgação do turismo do Pantanal na Alemanha: ‘Muito prejuízo’


Uma das vítimas mostra trecho de conversa em que agente de viagens confirmou a compra das passagens — Foto: WhatsApp

Uma agente de viagens é suspeita de enganar um grupo que pretendia viajar para a Alemanha, neste mês de setembro, onde fariam divulgação do turismo do Pantanal. Segundo as vítimas, a mulher teria embolsado cerca de R$ 80 mil. O valor foi pago a ela no mês de abril, quando ela teria dito que conseguiu um bom desconto nas passagens. No entanto, 30 dias antes da viagem o grupo ainda não tinha conseguido o bilhete e, ao chegar no dia 3 de setembro, dia do embarque, nenhum dos 14 envolvidos conseguiu ir para o exterior.

A advogada Lisa Guedes Pereira Striquer, de 39 anos, fala que, além do prejuízo financeiro, existe ainda danos para o turismo sul-mato-grossense. “Era uma missão internacional para desenvolver o turismo na Alemanha. Nós já tínhamos o contato lá e estávamos com hospedagem e alimentação paga. O nosso gasto seria apenas com as passagens e seguro para algum eventual problema. Nós pesquisamos agentes e vimos que ela tinha uma boa proposta de valores, então, dividimos em algumas parcelas e pagamos para ela”, ressaltou.

Conforme Guedes, metade do grupo é de Campo Grande e outra metade fica em Rio Verde, na região norte do estado. “Um mês antes, começamos a ir na casa dela porque não tem agência fixa e ela nunca estava. Quando conseguimos falar, ela disse que perdeu a reserva naquela preço e estava tentando fazer uma nova. Nossa preocupação foi aumentando, tínhamos visitas em 12 cidades da Alemanha para fazer, envolvendo prefeitos e muita gente nesse intercâmbio cultural. O tempo todo, ela dizia que iria cumprir, até 2 dias antes da viagem”, ressaltou.

Vítimas disseram que suspeita embolsou cerca de R$ 80 mil em MS — Foto: WhatsApp

Na ocasião, a advogada conta que algumas pessoas do grupo começaram a se “desestruturar emocionalmente” e inclusive houve discussões. “É ela ela disse que não daria mais pra ir todo mundo, iriam só seis pessoas, depois mudou para quatro, depois apenas um casal e, por último, disse que iria apenas um representante. O dia 3 de setembro chegou e ninguém embarcou. Foi aí que estivemos na delegacia e a delegada nos orientou a juntar todo mundo para registrar a ocorrência”, disse.

Grupo diz que, quando falou em registrar boletim de ocorrência, suspeita teria feito ameaças

Desde então, ainda conforme o relato da advogada, a agente de viagens passou a fazer supostas ameaças. “Primeiro ela tentou um acordo, disse que iria pagar o valor em dobro para alguns casais até uma data, porém, não era para ninguém registrar boletim de ocorrência. Ela fica se valendo disso, algumas pessoas acreditaram e agora estamos aguardando”, lamentou.

O fiscal tributário estadual Marcos Alberto Conforte, de 53 anos, que mora na capital sul-mato-grossense, fala que perdeu as férias por conta deste fato. “Eu repassei para ela cerca de R$ 6,5 mil, só que no meu caso se for calcular as férias forçadas que tive com os descontos, o prejuízo passa de R$ 30 mil. São 8 palestras, encontros programados com políticos, além de bispos e padres, tudo o que ela fez acabou com a nossa possibilidade de ecoturismo e negócios que poderiam ser feitos. Temos outros casais, que pretendiam ver a filha em Berlim, além de gente que repassou dinheiro em reais para receber em euros e ficou sem nada”, garantiu.

Antes do negócio com a agente de viagens, o fiscal conta que turistas alemães vieram para o Pantanal. “Eles ficaram em 15 fazendas, comeram a comida pantaneira e queriam investir nesse negócio de turismo. A partir daí, começamos as negociações. O que ela fez foi uma palhaçada, está todo mundo indignado”, afirmou.

G1 entrou em contato com a agente de viagens, identificada como Luciana Cristina Almeida Nogueira, da Inspire Experiências. Ela disse que existe um termo de acordo por reembolso e tudo está “nas mãos” de advogados. Um dos profissionais que a atende, Flávio Jacó, disse que está entrando em uma reunião e poderia falar apenas no final da manhã.

Uma das pessoas, que viajaria com o grupo, é um padre que desistiu do reembolso do dinheiro. Ele escreveu uma carta aos colegas. Veja na íntegra:

Quero manifestar minha solidariedade com profundo sentimentos de tristeza por tudo o que vocês estão passando no que diz respeito ao investimento financeiro, emocional, afetivo e espiritual para esta viagem de negócios junto a Kolping Internacional com sede na Alemanha.

Sinto que é uma perda irreparável para a kolping do MS, seus membros e familiares.

A nível Nacional também pois toda está situação tem seus reflexos em 60 países, no Brasil (em 17 estados da Federação) e em todas as Comunidades Kolping do MS.

E o fato de não podermos cumprir com a agenda que já havia sido construída na Alemanha passando por 08 cidades importante e seríamos recebidos por autoridades Políticas, Eclesiásticas (bispos e padres) com intuito de abrir uma janela próspera para a captação de recursos em vista da sustentabilidade dos mais necessitados através do Ecoturismo, e outras iniciativas….

Também aproveito o momento para reconhecer o meu erro e pedir desculpas por não haver buscado informações quanto procedimento assertivo para aquisição de passagens mediante contrato firmado entre ambas as partes.


Suspeita alegou que reembolsaria as vítimas em MS — Foto: WhatsApp

Por Graziela Rezende, G1 MS

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