terça-feira , 19 novembro 2019
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Navio grego suspeito no caso das manchas no Nordeste carregou 1 milhão de barris de petróleo na Venezuela

O petroleiro grego suspeito de derramar o óleo que causou o maior desastre ambiental já registrado na costa brasileira se chama Bouboulina. Ele carregou 1 milhão de barris do petróleo tipo Merey 16 cru no Porto de José, na Venezuela, no dia 15 de julho. Zarpou no dia 18 com destino à Malásia.

As informações sobre os detalhes do navio, sua carga e trajetória foram fornecidos pela agência de geointeligência Kpler, a pedido do G1, com base nos dados da Operação Mácula, desencadeada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (1º). A embarcação Bouboulina passou a oeste da Paraíba em 28 de julho, segundo um porta-voz da agência.

As investigações do governo brasileiro apontam que a primeira mancha no oceano foi registrada em 29 de julho, a 733 km da costa da Paraíba. As primeiras praias do país afetadas foram no município paraibano de Conde em 30 de agosto.

Bouboulina passou pela costa do Brasil em 28 de julho, segundo um porta-voz da Kpler, empresa de análise de dados especializada no mercado de commodities. — Foto: Divulgação/Kpler

Bouboulina passou pela costa do Brasil em 28 de julho, segundo um porta-voz da Kpler, empresa de análise de dados especializada no mercado de commodities. — Foto: Divulgação/Kpler

O navio Bouboulina e a empresa grega dona da embarcação foram citados na decisão judicial que autorizou o pedido de busca e apreensão em escritórios no Rio de Janeiro. De acordo com os investigadores, 2,5 mil toneladas de óleo foram derramadas no oceano.

A proprietária do navio é a Delta Tankers, fundada em 2006, mesmo ano de fabricação do navio. O G1 entrou em contato com a empresa e aguarda um posicionamento.

“Nós temos a prova da materialidade e indícios suficientes de autoria. O que nos falta são as circunstâncias desse crime, se é doloso, se é culposo, se foi um descarte ou vazamento” – Agostinho Cascardo, delegado da PF no Rio Grande do Norte

De acordo com o delegado Agostinho Cascardo, a Marinha do Brasil apurou que, em abril, o navio grego ficou retido nos Estados Unidos durante 4 dias por causa de problemas no filtro de descarte da embarcação.

O petroleiro é do tipo Suezmax, e sua capacidade máxima é 1,1 milhão de barris. Considerando o valor atual de mercado do petróleo, o carregamento vale cerca de US$ 66 milhões. As 2,5 mil toneladas que vazaram na costa brasileira equivalem a quase três milhões de litros.00:00/04:15

PF faz operação para descobrir origem e autoria de vazamento de óleo

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Rota do navio

Depois de sair do Porto de José, em 18 de julho, o petroleiro Bouboulina chegou à Cidade do Cabo, na costa da África do Sul, em 9 de agosto. Ele navegou pela costa por menos de um dia, depois continuou a jornada em direção ao estreito de Malaca, na Malásia.

Em 3 de setembro, chegou à costa da Malásia. Durante todo este trajeto, o petroleiro estava com “Automatic Identification System” (AIS) ligado.

Rota do navio grego Bouboulina: embarcação zarpou em 18 de julho e passou pela costa brasileira no dia 28. — Foto: Roberta Jaworski/Arte G1

Rota do navio grego Bouboulina: embarcação zarpou em 18 de julho e passou pela costa brasileira no dia 28. — Foto: Roberta Jaworski/Arte G1

Entre 3 e 13 de setembro, o navio Bouboulina transferiu a carga para outra embarcação, no sistema “ship-to-ship”, com o AIS desligado. A Kpler informou que a embarcação que recebeu a carga é desconhecida.

Depois, o Bouboulina partiu rumo à Nigéria, para atracar no terminal Qua Iboe, e carregou novamente no dia 20 de outubro, e agora navega rumo à Balikpapan, na Indonésia.

Bouboulina, navio petroleiro operado por empresa grega é suspeito de derramar o óleo que atinge o Nordeste, segundo a PF. — Foto: Divulgação

Bouboulina, navio petroleiro operado por empresa grega é suspeito de derramar o óleo que atinge o Nordeste, segundo a PF. — Foto: Divulgação

Nome Bouboulina

Laskarina “Bouboulina” Pinotsis foi uma marinheira grega que comandou diversos navios durante a guerra da independência da Grécia, no século 19.

Bouboulina é considerada uma heroína de guerra e participou ativamente do movimento pela independência do país, levando secretamente carregamentos de munições e armamentos para os soldados, usando seus próprios recursos.

Cronologia das investigações

  • 30 de agosto – primeiras manchas – Surgem as primeiras manchas em praias na Paraíba.
  • 2 de outubro – PF abre inquérito – A Polícia Federal do Rio Grande do Norte abre inquérito para investigar a origem das manchas de óleo encontradas em várias praias do Nordeste
  • 5 de outubro – Bolsonaro pede investigações -Jair Bolsonaro pede investigações sobre as manchas e envolve PF, Defesa, Ibama e o ICMBio.
  • 10 de outubro – 30 navios suspeitos – A Marinha diz que vai notificar 30 navios-tanque de 10 diferentes bandeiras a prestarem esclarecimentos na investigação. Análise da UFBA aponta que óleo que atinge litoral do NE é produzido na Venezuela.
  • 14 de outubro – barris suspeitos -Após barris da Shell serem encontrados em praias do Nordeste, a empresa nega que tenha envolvimento no surgimento das manchas de óleo.
  • 17 de outubro – modelos matemáticos -Marinha encontra barris da Shell flutuando no oceano e coleta material para análise. Com base em modelos matemáticos que consideraram o surgimento das manchas e a dinâmica das correntezas, pesquisadores da UFRJ apontaram que a provável origem das manchas surgiu a 700 km da costa da Paraíba.
  • 22 de outubro – navios-fantasma -O comandante da Marinha, almirante Ilques Barbosa Júnior, diz que a investigação estava centrada em ‘dark ships’, navios que desligam o sistema de rastreamento. No mesmo dia, ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, disse que as investigações buscavam navios que circularam entre 25 de agosto e 3 de setembro na costa brasileira.
  • 30 de outubro – manchas supeitas – Duas pesquisas, uma da UFRJ e outra da UFAL, apontaram a suspeita de uma mancha de 200 km² flutuando a 50 km da costa da Bahia. Para o pesquisador Humberto Barbosa, da UFAL, a mancha poderia ter origem em um vazamento do pré-sal. A hipótese foi descartada pela Marinha, Ibama e Petrobras.

Especialistas alertam para sistema de resposta a grandes vazamentos no transporte marítimo

Por Elida Oliveira, G1

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