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PF reitera que presos em MS, na fronteira com o Paraguai, são suspeitos de assalto em Araçatuba

PF apreendeu dinheiro e munições ao cumprir mandados em MS — Foto: PF/Divulgação
PF apreendeu dinheiro e munições ao cumprir mandados em MS — Foto: PF/Divulgação

Parte dos presos na operação “Escritório do Crime”, deflagrada no domingo (3), está sob suspeita de participação no ataque na modalidade “novo cangaço” ocorrido no dia 30 de agosto, em Araçatuba, cidade do noroeste paulista, informou a Polícia Federal (PF), em entrevista coletiva nesta sexta-feira (08).

As suspeitas recaem principalmente sobre Anderson Meneses de Paula, de 34 anos, o “Tuca” – um dos detidos, que é apontado como responsável por comandar ações de facção criminosa na região fronteiriça com o Paraguai, em Mato Grosso do Sul.

A advogada que representou os presos na audiência de custódia, Nataly Bortolatto, disse ao g1 que não se manifestará por sigilo profissional.

Um fato ocorrido ontem em Paralheiros, bairro de São Paulo (SP), coloca o nome de “Tuca” ainda mais no radar da PF. O irmão dele, Rogério Meses de Paula, 51 anos, foi morto num imóvel que servia como “bunker” da facção, durante confronto com integrantes do Batalhão de Operações Especiais (Baep) da Polícia Militar.

Outro homem, não identificado, também morreu no lugar e a suspeita é de envolvimento com o crime em Araçatuba. Um arsenal foi encontrado no imóvel, que seria usado para reunião dos suspeitos.

Eram armas de grosso calibre, entre elas fuzis .50 e 7.62, como citou o delegado Fabrício Azevedo de Carvalho, ao confirmar o recebimento da informação das polícias de São Paulo.

“Esse fato vai entrar no bojo do inquérito, e vai ser apurado para a gente desvendar se houve a participação em Araçatuba dos presos em Ponta Porã”, declarou.

Delegado da PF fala sobre a investigação — Foto: Marta Ferreira/G1
Delegado da PF fala sobre a investigação — Foto: Marta Ferreira/G1

Originalmente, a apuração envolvia os crimes de tráfico de armas e drogas e organização criminosa.

Foi citada a existência de uma guerra pelo comando das rotas de tráfico de drogas e armas na região, que resulta num rastro de violência. Aos chefes, são atribuídas ordens de execuções sumárias na linha de fronteira.

Escritório do crime

Na operação de domingo, feita simultaneamente em Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, foram 8 presos, quatro deles com prisão provisória por 30 dias. A ordem foi decretada em inquérito aberto em junho para apurar atividade da organização criminosa em Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, no tráfico de armas e de entorpecentes. Nesse inquérito, foram levantados indícios, tais quais conversas interceptadas, da participação do grupo nos roubos a bancos na cidade do interior de São Paulo.

PF cumpriu 12 mandados tanto em Ponta Porã como no Paraguai — Foto: PF/Divulgação
PF cumpriu 12 mandados tanto em Ponta Porã como no Paraguai — Foto: PF/Divulgação

Cautelosas, sob alegação de que as apurações ainda estão em curso e tudo ainda é “prematuro”, as autoridades da PF em Mato Grosso do Sul disseram que os presos serão ouvidos sobre o crime em São Paulo, mas sem detalhar o que há de indícios contra os presos.

As informações, explicaram, estão sendo compartilhadas com a polícia naquele estado, onde corre a apuração do “mega-assalto” de agosto.

O compartilhamento de informações e diligências com a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad) foi lembrado como essencial para o desenrolar das investigações. Os trabalhos continuam e podem ter novas fases, como informado.

Declarações

A entrevista coletiva reuniu o superintendente da PF no Estado, Chang Fan, o delegado regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado Fabrício de Azevedo Carvalho e o chefe da delegacia da PF em Ponta Porã, Diego José Santa Gordilho Leite.

Todos ressaltaram o caráter diferenciado que teve a operação “Escritório do Crime”, por envolver a ofensiva contra suspeitos considerados bastante perigosos. “Tuca” é, segundo os levantamentos, especialista em explosivos, assim como William Meira dos Santos, o “Bruxo”, que já havia sido preso em março, no Paraguai, com armamento, mas acabou sendo solto, e agora foi capturado novamente.

De forma atípica, a ofensiva foi no domingo. O delegado Fabrício Carvalho, explicou que foi em razão de “conveniência e oportunidade”, tanto para encontrar os alvos quanto para mobilizar a equipe policial necessária. Houve reforço de dois grupos de elite da força de segurança, o Comando de Operações Táticas (COT) e o Grupo de Pronta Intervenção (GPI).

Vindos de Brasília em um jato da PF, os integrantes desses grupos também fizeram, por determinação judicial, a escolta dos presos, diante do risco de tentativa de resgate dos presos.

Na coletiva desta sexta-feira, os delegados confirmaram apenas que os detidos não estão mais em Ponta Porã. “É uma questão de segurança”, declarou Chang Fan sobre não informar pormenores da transferência.

g1 apurou que as mulheres foram para presídios estaduais, em Ponta Porã e Campo Grande, e os homens para o presídio federal de segurança máxima, também na capital sul-mato-grossense, destinado a bandidos considerados de alta periculosidade.

Suspeito em audiência de custódia.  — Foto: Reprodução
Suspeito em audiência de custódia. — Foto: Reprodução

“Tuca”, ao participar da audiência de custódia, que homologou o flagrante, disse ter vindo à região há menos de um mês para acompanhar cirurgia plástica da esposa.

A versão foi confirmada por ela, e está sendo apurada. Por ora, o monitoramento “não corrobora essa informação”, como assinalou o delegado de Ponta Pora Diogo Gordilho.

Quem foi preso?

  • Anderson Meneses de Paula, o “Tuca”
  • William Meira dos Santos, o “Bruxo”
  • Francisca Kelly de Lima Silva, esposa de “Tuca”
  • Alfredo Giménez Larrea, cidadão paraguaio
  • José Luis Martins Junior, dono de casa onde foram feitas prisões
  • Alice Lorena Rodrigues Ortiz, esposa de José Luis
  • Francisco Alfonso, irmão de José Luis
  • Elvis Enrique Gimenez Riquelme, suspeito de tráfico e o único que foi colocado em liberdade.

Por Marta Ferreira, g1 ms

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