quarta-feira , 5 agosto 2020
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Pioneiro na luta pelos direitos civis, John Lewis morre aos 80 anos nos EUA


Político John Lewis fala sobre Hillary Clinton ao lado de membros do Comitê de Ação Política (PAC) do Caucus Negro do Congresso (CBC) em Washington nesta quinta-feira (11) — Foto: Mark Wilson/Getty Images North America/AFP

John Lewis, um dos pioneiros do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos e um dos últimos ativistas negros da época de Martin Luther King, morreu aos 80 anos nesta sexta-feira (17). O congressista de Atlanta, que enfrentava um câncer no pâncreas, tinha se afastado dos deveres legislativos nos últimos meses para se concentrar no tratamento.

Porém, Lewis continuou a luta pelos direitos civis até o fim de sua vida. Ele fez sua última aparição pública no início de junho, quando participou de um ato perto da Casa Branca, em Washington, em meio aos protestos antirracistas motivados pela morte de George Floyd, um afro-americano sufocado por um policial branco em Minneapolis.

Usando uma bengala, ele caminhou com o prefeito Muriel Bowser, em Washington, DC, em uma rua da Casa Branca que Bowser havia acabado de renomear Black Lives Matter Plaza, que tinha acabado de ser decorada com um grande mural amarelo onde foi escrito “Black Lives Matter” (Vidas negras importam).

John Lewis examina inscrição ‘Black Lives Matter’ em rua de Washington em 7 de junho  — Foto: Khalid Naji-Allah / AP

John Lewis examina inscrição ‘Black Lives Matter’ em rua de Washington em 7 de junho — Foto: Khalid Naji-Allah / AP

Lewis confrontou o presidente dos EUA, Donald Trump, boicotando sua posse e ressaltando a interferência russa nas eleições de 2016 para questionar sua legitimidade.

O anúncio da morte de Lewis foi feito pela presidente da Câmara americana, Nancy Pelosi, início da madrugada deste sábado (18).

“Hoje, os Estados Unidos choram a perda de um dos maiores heróis de sua história. John Lewis era um titã do movimento pelos direitos civis, cuja bondade, fé e bravura transformaram nossa nação, desde a determinação com que ele encontrou discriminação nos balcões de almoço, até a coragem que ele demonstrou quando jovem, enfrentando a violência. Ele trouxe liderança moral ao Congresso por mais de 30 anos”, afirmou Pelosi em comunicado.

“No Congresso, John Lewis era reverenciado e amado nos dois lados do corredor e nos dois lados do Capitólio. Ficamos com o coração partido por sua morte”, acrescenta a nota.

Trajetória

Foto de 7 de março de 1965 mostra um policial agredindo John Lewis durante marcha pelos direitos civis em Selma, no Alabama — Foto: Associated Press

Foto de 7 de março de 1965 mostra um policial agredindo John Lewis durante marcha pelos direitos civis em Selma, no Alabama — Foto: Associated Press

Lewis nasceu em Troy, no Alabama, em 1940. Era o quarto de dez irmãos de uma família de camponeses e cresceu em uma comunidade totalmente negra, onde rapidamente sentiu a segregação pela cor da pele.

Tinha apenas 21 anos quando se tornou um dos fundadores dos “Passageiros da Liberdade”, que lutaram contra a segregação racial no sistema de transporte público americano no início dos anos 1960.

Lewis foi o líder mais jovem da manifestação de 1963 em Washington, na qual Luther King proferiu seu histórico discurso “I have a dream” (“Eu tenho um sonho”).

Dois anos depois, quase morreu em uma manifestação antirracista pacífica em Selma, Alabama, quando teve um crânio fraturado pela polícia.

Aquele dia ficou conhecido como “Domingo Sangrento” e, exatamente meio século depois, caminhou de mãos dadas com Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, até o local do protesto emblemático.

Lewis entrou no Congresso em 1986 e logo se tornou uma das vozes mais poderosas da defesa da justiça e da igualdade.

Imagem de 2015 mostra Barack e Michele Obama, o ex-presidente George W. Bush e sua mulher, Laura, e o político John Lewis em cerimônia em Selma — Foto: AFP

Imagem de 2015 mostra Barack e Michele Obama, o ex-presidente George W. Bush e sua mulher, Laura, e o político John Lewis em cerimônia em Selma — Foto: AFP

Políticos lamentam a perda do ativista

“John Lewis foi um ícone que lutou com todas as suas forças para promover a causa dos direitos civis para todos os americanos”, publicou em rede social o senador Kamala Harris, o primeiro afro-americano a representar a Califórnia no Senado. “Estou arrasado por sua família, amigos, funcionários e todos aqueles cujas vidas ele tocou”.

A senadora norte-americana Elizabeth Warren escreveu no Twitter: “John Lewis era um verdadeiro herói americano e a bússola moral de nossa nação. Que sua coragem e convicção permaneçam em todos nós”.

Foto de 23 de fevereiro de 1965 mostra diretor de segurança pública Wilson Baker falando sobre os perigos de manifestações noturnas no início de uma marcha em Selma, no Alabama. John Lewis está no primeiro plano do lado direito  — Foto: Associated Press

Foto de 23 de fevereiro de 1965 mostra diretor de segurança pública Wilson Baker falando sobre os perigos de manifestações noturnas no início de uma marcha em Selma, no Alabama. John Lewis está no primeiro plano do lado direito — Foto: Associated Press

“Nossa consciência, ele era um fanático por essa era moderna. Lutou sempre”, disse Stacey Abrams, ativista democrata e fundadora do Fair Fight, um grupo de direitos de voto no estado natal de Lewis, na Geórgia. “E nunca ele relutou em compartilhar sua beleza. Eu o amava e sentirei sua falta”.

O presidente francês, Emmanuel Macron, também fez uma homenagem em memória do ativista. “Uma vida de combate pelos direitos civis. Uma vida de belas lutas, para lutar por um mundo mais justo. Muito progresso foi feito graças a ele. John Lewis era um herói”, tuitou.

Foto de 7 de março de 2015 mostra o então presidente dos EUA, Barack Obama, cumprimentando John Lewis na ponte Edmund Pettus em Selma, Alabama  — Foto: Brendan Smialowski / AFP

Foto de 7 de março de 2015 mostra o então presidente dos EUA, Barack Obama, cumprimentando John Lewis na ponte Edmund Pettus em Selma, Alabama — Foto: Brendan Smialowski / AFP

Por G1

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