sexta-feira , 24 janeiro 2020
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Sequestro de três mulheres durante uma década deixa EUA em choque

 

Fotos mostram Amanda Berry, à esquerda, e Georgina Dejesus, que foram sequestradas há cerca de dez anos (Foto: FBI/AP)
Fotos mostram Amanda Berry, à esquerda, e
Georgina Dejesus, que foram sequestradas
há cerca de dez anos (Foto: FBI/AP)

A descoberta de três mulheres sequestradas em uma casa de Cleveland (Ohio), consideradas desaparecidas durante uma década, e a detenção de três irmãos latinos suspeitos do sequestro provocaram choque e muitas perguntas nesta terça-feira nos Estados Unidos.

As três mulheres foram encontradas em uma residência próxima do local em que desapareceram, depois que uma delas conseguiu colocar o braço por um espaço na porta e começou a gritar, o que chamou a atenção de um vizinho.

Mas como as mulheres foram mantidas presas todos estes anos e por quê escaparam agora e não antes: são muitas as dúvidas e perguntas.

As autoridades começaram a divulgar alguns detalhes: o chefe de polícia de Cleveland, Michael McGrath, anunciou a detenção de Ariel Castro, de 52 anos, e seus dois irmãos, de 50 e 54.

A polícia identificou os outros irmãos como Pedro Castro, 54 anos, e Oneil Castro, 50 anos.

A polícia também confirmou que uma menina de seis anos resgata da casa é filha de uma das sequestradas, Amanda Berry.

Centenas de pessoas invadiram uma rua residencial normalmente tranquila. Elas celebravam o fato das mulheres, que muitos temiam que estivessem mortas, terem sido encontradas vivas.

O pesadelo terminou quando Amanda Berry – sequestrada há 10 anos, quando tinha 16 – colocou os braços em um buraco na porta principal e pediu ajuda.

Um vizinho viu Amanda Berry gritando e tentando sair da casa.

“Escutei gritos (…) e vi esta garota tentando fugir como uma louca da casa”, disse Charles Ramsey à rede de televisão ABC.

“Fui até a entrada e ela disse: me ajude a sair, estou aqui há muito tempo”.

Ramsey contou que tentou abrir a porta e como não conseguiu, teve que derrubá-la, antes que a mulher saísse se arrastando e “levando consigo uma criança pequena”.

Berry correu até uma casa vizinha para ligar à polícia, implorando que viessem o mais rápido possível, “antes que ele volte”.

“Sou Amanda Berry. Fui sequestrada. Estive desaparecida durante 10 anos. Estou livre, estou aqui agora”, disse a jovem ao número de emergência 911.

Berry revelou que ela e outras duas jovens eram mantidas em cativeiro por Ariel Castro. Quando a polícia chegou, ela contou sobre as outras duas mulheres na casa: Gina De Jesus e Michelle Knight

Berry desapareceu em abril de 2003, quando tinha 16 anos, após sair do trabalho, informou o FBI. A mãe da jovem, Louwanna Miller, morreu de ataque cardíaco em março de 2006, segundo a imprensa.

Gina De Jesus tinha apenas 14 anos em 2004 quando desapareceu após deixar a escola.

Michelle Knight desapareceu aos 21 anos, no dia 23 de agosto de 2002, depois de visitar uma prima, segundo o jornal Cleveland Plain Dealer.

Ramsay, que resgatou Berry, disse aos jornalistas que havia compartilhado refeições com o sequestrador e escutado salsa com ele, sem suspeitar de nada.

Outra vizinha, Charliez Czorb, se disse surpresa com o tempo que as três jovens passaram no cativeiro sem que ninguém percebesse.

“Estavam no nosso quintal. Estas meninas estavam presas em nosso quintal”, disse.

Ariel Castro foi descrito pelos vizinhos como um amigável motorista de ônibus e músico. Também afirmaram que geralmente deixavam as filhas brincar com seus netos.

Jannette Gomez, de 50 anos, que visitava parentes e amigos na rua, disse que Castro estacionava sua motocicleta e seu caminhão na parte de trás da casa, trancava a grade de entrada com chave e entrava na residência pela porta dos fundos.

Algumas vezes acendia uma luz fraca na entrada, mas a casa estava sempre às escuras.

Tasheena Mitchell, de 26 anos, disse que não conseguiu acreditar quando o irmão ligou para avisar que haviam encontrado sua prima Amanda. Ela correu para o hospital.

“Ela era minha melhor amiga”, disse Mitchell ao jornal Plain Dealer.

Gerald Maloney, um médico que atendeu as três mulheres, afirmou que elas estavam bem, mas continuariam a ser examinadas.

“Este não é o final que normalmente escutamos neste tipo de história e estamos muito felizes por elas”, disse o médico aos jornalistas.

O prefeito de Cleveland, Frank Jackson, ficou “agradecido pelo fato de estas três jovens estarem com vida”.

“Temos muitas perguntas sem resposta sobre este caso e a investigação continua”, advertiu em seguida.

 

Da France Presse

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