terça-feira , 26 maio 2020
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Um dia após passeio de Bolsonaro, Mandetta defende ‘máximo grau de distanciamento social’ durante surto do coronavírus

m dia depois de o presidente Jair Bolsonaro ter feito um passeio pelo comércio de Brasília mesmo em meio ao surto do novo coronavírus, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, recomendou que sejam mantidas as recomendações dadas pelos estados e defendeu o “máximo grau de isolamento social”.

“E eu tenho dialogado com os secretários estaduais e municipais – dentro do que é técnico, dentro do que é cientifico, dentro do planejamento – quais seriam as condicionantes, o que a gente precisa ter na Saúde (…) para que que a gente possa imaginar qualquer tipo de movimentação que não seja esta”, disse Mandetta em entrevista coletiva nesta segunda-feira (30) no Palácio do Planalto, em Brasília.

“Por enquanto, mantenho as recomendações dos estados. Porque essa é, no momento, a medida mais recomendável, já que nós temos muitas fragilidades ainda do sistema de saúde.”

Bolsonaro vem defendendo o relaxamento das medidas de isolamento adotada nos estados e a retomada da atividade econômica, com reabertura do comércio e volta dos estudantes às escolas. As recomendações de especialistas, da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do próprio Mandetta são de que o isolamento é necessário para evitar a expansão da pandemia.

Em várias ocasiões na entrevista desta segunda, o ministro repetiu os termos “técnico” e “científico” ao comentar as orientações e condutas da pasta diante do surto da Covid-19, doença causada pelo coronavírus Sars-CoV-2, que provocou mais de 150 mortes no Brasil.

Ele reafirmou: “No momento, a gente deve manter o máximo grau de distanciamento social, para que a gente possa, nas regras que estão nos estados, dar tempo para que o sistema [de saúde] se consolide na sua expansão”.

“Estamos aumentando o sistema, estão chegando equipamentos. Tem que aguardar a quantidade de hospitais de campanha que estão sendo ainda construídos em várias cidades”, completou.

Segundo o ministro, os efeitos positivos das medidas restritivas devem ser sentidos “na próxima quinzena”. “Quando você para hoje, o que você fez nos 14 dias anteriores é que reflete nas suas duas semanas para frente. Essa paralisação de duas semanas – você vai colher os frutos lá na frente.”

Em outro momento, o ministro declarou que “distanciamento social não quer dizer isolamento absoluto”. “Não estamos ainda em lockdown absoluto”, disse, referindo-se ao termo em inglês para a paralisação total do fluxo de pessoas (com exceções).

O ministro afirmou, mais de uma vez, que a pandemia não é um problema que diz respeito apenas ao seu ministério: “Essa briga não é [somente] da Saúde”. De acordo com ele, “esse vírus ataca a economia, a sociedade”, afetando transporte e bolsas de valores.

O ministro da Saúde, Henrique Mandetta, durante entrevista nesta segunda (30) — Foto: Reprodução/TV Brasil

O ministro da Saúde, Henrique Mandetta, durante entrevista nesta segunda (30) — Foto: Reprodução/TV Brasil

“Eu vejo o grande divisor é: temos uma onda na saúde, temos uma onda na economia. Parece que é consenso de todos que fazer um lockdown absoluto da sociedade brasileira, neste momento, não é o que a gente tá precisando. Porque a gente vai ter muito problema na frente.”

Mandetta também se desculpou por recentemente ter feito críticas ao trabalho da imprensa na cobertura da pandemia do novo coronavírus, afirmando que os meios de comunicação são sórdidos porque, na visão dele, só vendem se a matéria for ruim.

“Eu peço desculpas. A gente, quando erra, a gente erra. Naquele momento, o que eu quis dizer era o seguinte: leia um livro, procura conversar, nós estamos na Quaresma, procura ler a ‘Bíblia’, e tem outras possibilidades”.

Jornalistas respondem à crítica de Mandetta

Jornalistas respondem à crítica de Mandetta

Mais controle do Planalto na entrevista

A entrevista coletiva desta segunda foi no Palácio do Planalto, e não no Ministério da Saúde, como vinha acontecendo anteriormente ao londo do surto de coronavírus.

O formato também mudou: além do próprio Mandetta, estiveram presentes os seguintes ministros Walter Souza Braga Netto (Casa Civil), Onyx Lorenzoni (Cidadania), Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura) e André Luiz de Almeida Mendonça (Advocacia-Geral da União), além do tenente-brigadeiro do Ar Raul Botelho, comandante do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, representante do Ministério da Defesa.

Todos eles falaram antes do ministro da Saúde. E, quando este foi perguntado se se “teve ou está tendo atritos” com o presidente Jair Bolsonaro, se está sob ameaça de demissão ou se pensa em deixar o cargo, Braga Netto se antecipou, tomou a palavra e respondeu:

“Deixar claro para vocês: não existe essa ideia de demissão do ministro Mandetta. Isso aí está fora de cogitação no momento, está certo? Não existe”.

Sobre o fato de a entrevista ter mudado para o Planalto, ministro da Casa Civil disse: “Esta reunião não está aqui por motivos políticos. Está aqui porque o problema do corona atinge transversalmente todo o governo”.

O blog de Natuza Nery no G1 mostrou que, embora o governo diga que a mudança seja para dar uma ideia de maior coordenação das medidas de combate ao vírus, trata-se, sim, de intervenção do Palácio do Planalto.

Casos confirmados e mortes no Brasil

Nesta segunda, o Ministério da Saúde divulgou balanço nacional sobre os casos de Covid-19, doença causada pelo coronavírus Sars-Cov-2. Os principais dados são:

  • 159 mortes
  • 4579 casos confirmados
  • 3,5% é a taxa de letalidade
  • Sudeste tem 2.507 casos, 55% do total
  • São Paulo tem 1.451 casos

No levantamento anterior, divulgado no domingo (29), o Brasil tinha 136 mortes e 4.256 casos confirmados de pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

Por G1

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