quinta-feira , 23 janeiro 2020
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Vídeo mostra PM pisando em celular e vítima vai denunciá-lo à Corregedoria


Policial momentos antes de celular de moradora ser pisoteado (Imagem: Reprodução)

A confusão entre moradoras e síndica no Condomínio Rui Pimentel I, no Bairro Jardim Centro-Oeste, na sexta-feira (3) – com intervenção da polícia militar -, terminou na delegacia de polícia e o caso foi levado à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol. Vídeo gravado pelas moradoras mostra o momento em que um dos policiais militares toma o celular das mãos de Ana Carolina Rodrigues de Arruda, 25, joga ao chão e pisa, quebrando o aparelho.

Advogado das moradoras do condomínio, João Wilson Araújo afirma que as vítimas vão até a Corregedoria da Polícia Militar, na segunda-feira (6), denunciar a ação. Além de Ana Carolina, Ivanise Arruda dos Santos, 34, afirma que teve lesões em uma das pernas. Outro vídeo gravado por moradores mostra Ivanise, no chão, com os cabelos sendo puxados por um policial.

Ela já utilizava uma prótese ortopédica, desde criança, por sofrer de uma má formação nas pernas, que ficou deslocada.

Ivanise teve que imobilizar a perna (Foto: Danielle Errobidarte)

Ivanise teve que imobilizar a perna (Foto: Danielle Errobidarte)

Segundo o advogado, ela foi ao Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) para realizar exame de corpo delito, que não pode ser feito em razão do plantão da equipe. Os funcionários, porém, enfaixaram a perna da vítima e orientaram que ele buscasse uma unidade de saúde.
Por volta das 22h de sexta-feira (3) ela foi até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Guaicurus, onde ficou até 00h00 sem conseguir atendimento.

Todos liberados – Segundo o advogado, todos foram liberados pela polícia, mas as moradoras ainda avaliam o episódio e quais providências podem ser tomadas. “Todos os envolvidos foram liberados, não houve nenhuma prisão, a providência que foi tomada é que a Ana Carolina, o policial jogou o celular no chão e pisou em cima, foi abuso de autoridade, não pode fazer isso”, disse.

“A Ivanise, a senhora que foi puxada pelos cabelos, ela deslocou a platina e a placa que tinha na perna. Ela pode mover uma ação de reparação de danos. Elas vão até a corregedoria”, comentou o advogado.

No termo de declaração policial, uma das autoras, Aurineide Lopes Graciano, 38, afirma que 50 pessoas foram na casa da síndica. A revolta dos moradores começou porque exigem a renúncia da síndica Angélica de Lima, que acusam de crimes financeiros no condomínio, relacionados a empresa de segurança no local.

No termo, Aurineide afirma que os moradores pagam R$ 55 por mês, mas que o condomínio deve cerca de R$ 19 mil. Acusa Angélica, ainda, de realizar uma série de contratos sem autorização em Assembleia, e de querer realizar pagamentos sem nota.

A síndica afirmou, na sexta-feira, ter sido agredida, e que o filho, diagnosticado com TEA (Transtorno do Espectro Autista) também foi agredido. No termo de declaração, Aurineide nega as agressões, afirma que também acionou a polícia e que não resistiu à abordagem policial.

Carta de renúncia deixada pela síndica, assinada no dia 20 de dezembro (Foto: Danielle Errobidarte)

Carta de renúncia deixada pela síndica, assinada no dia 20 de dezembro (Foto: Danielle Errobidarte)

Carta de renúncia – Neste sábado (4), a síndica não estava na casa onde vive e deixou, com uma vizinha, uma carta de renúncia ao cargo, assinada no dia 20 de dezembro. No documento, pede que os moradores agendem Assembleia para definir um novo síndico para o condomínio.

Em entrevista, Aurineide disse que é presidente do conselho fiscal do condomínio e que conferiu a conta bancárias da associação de moradores, ocasião em que teria suspeitado de crimes financeiros cometidos pela síndica.

Segundo ela, Angélica tinha agendado pagamentos de boletos, também no dia 20 de dezembro e, no mesmo dia, notas de pagamentos para a empresa de segurança também estavam assinados.

Entenda – Entregue em outubro pela Prefeitura de Campo Grande, o condomínio enfrenta impasse por causa da contratação de empresa responsável por instalar equipamentos de segurança. As famílias são remanescentes da favela Cidade de Deus.

Em entrevista ao Campo Grande News no dia 27 de dezembro, os donos da DL Soluções, empresa que prestou serviço para o condomínio Rui Pimentel I, no Jardim Centro-Oeste, rebateu as acusações dos moradores sobre cobrança abusiva e disse que iniciou o trabalho no residencial em outubro, sem receber.

Na sexta-feira (3), depois de irem na casa da síndica, que chamou a polícia alegando invasão de domicílio, os moradores afirmaram que houve truculência da equipe militar. Do outro lado, os PMs alegam que precisaram fazer a “contenção” da mulher pois ela se jogou no chão e se recusava a entrar na viatura.

A reportagem tentou contato com a síndica neste sábado (4), mas ela não estava no residencial.

O Campo Grande News também entrou em contato com a Polícia Militar, por meio da assessoria de imprensa, que respondeu que “quando o cidadão está descontente com a ação policial, solicitamos que faça o registro da reclamação junto à corregedoria da PMMS, rua Jose Gomes Domingos n°537, bairro Santa Fé, para que seja instaurado o devido procedimento administrativo”.

Por: Izabela Sanchez e Danielle Errobidarte / Campo Grande News

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